sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Biografia

ROSEMBERG CARIRY

3 de fev. de 2009

(Antônio Rosemberg de Moura)

Filósofo de formação, cineasta por vocação, Antonio Rosemberg de Moura, de nome artístico Rosemberg Cariry, nasceu em Farias Brito – Ce, no ano de 1953. Começou sua carreira cinematográfica em 1975, na cidade de Crato, com documentários de curta metragem sobre artistas populares e manifestações artísticas do Ceará. Na década de oitenta, realizou os seus primeiros filmes documentários profissionais.
Em 1986, realizou seu primeiro filme de longa metragem (documentário), A Irmandade da Santa Cruz do Deserto, episódio de resistência camponesa que ocorreu em 1936 e que terminou tragicamente com a intervenção armada do governo e com milhares de camponeses mortos. Essa história era um tabu e foi abordada pela primeira vez, com grande repercussão. O filme foi premiado nacionalmente e recebeu convite para participar de festivais em Portugal e Cuba.
Em 1993, quando a produção de cinema no país havia entrado em completo colapso, ele filmou, ainda como cineasta independente, seu segundo longa-metragem (ficção) A Saga do Guerreiro Alumioso. Esse filme foi finalizado com apoio da Cinequanon, de Lisboa, e do Instituto Português de Arte Cinematográfica (IPACA). A ação se desenrola em uma cidade imaginária dos sertões. Ele mostra o confronto tradicional entre os camponeses e os grandes proprietários de terra, que será resolvido por um Dom Quixote sertanejo, que se identifica com o mito de Lampião. O filme ganhou o prêmio de «Melhor Filme do Júri Popular», o prêmio de «Melhor Ator» e de «Melhor Ator Coadjuvante», no XXVI Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em 1993. A Saga do Guerreiro Alumioso marcou, de alguma forma, junto com cinco outros filmes que foram produzidos na época, o movimento de resistência do cinema brasileiro. Esse filme foi selecionado para representar o Brasil no Festival dos Três Continentes de Nantes (França) e participou de muitos outros festivais internacionais: Portugal, Itália. Bélgica, Turquia, Índia, África do Sul, Colômbia, Cuba, Canadá, Estados Unidos da América, Uruguai, etc.
Em 1995, Rosemberg Cariry obteve o Prêmio da Retomada do Cinema Brasileiro, em concurso realizado pelo Ministério da Cultura, e pôde começar a produção do seu terceiro filme de longa metragem (ficção), que se chamou Corisco e Dadá. O filme, baseado na história verídica de um casal de cangaceiros célebres nos anos 40, mostra, em toda a sua dimensão trágica, a luta do homem pela sobrevivência nos sertões secos e miseráveis do Nordeste. Corisco e Dadá, um dos filmes do chamado «Renascimento do Cinema Brasileiro», foi bem recebido pela crítica, teve lançamento comercial em muitas cidades brasileiras e obteve inúmeros prêmios no Brasil e no exterior, notadamente o Prêmio do Grande Coral (3° prêmio) em Havana (Cuba) e o Prêmio Cittá del Vasto (Adventure Film Festival), na Itália. Entre os muitos festivais internacionais de que participou, destacam-se: Toronto, Trieste, Toulouse, Nantes, Pal Springs, New Delhi, Chicago e Ankara.
A partir de 1999, Rosemberg Cariry realizou alguns filmes: A TVe o Ser-Tão; Pedro Oliveira - O Cego que viu o Mar (curta-metragem - Prêmio GNT de Renovação de Linguagem) e um filme documentário de longa metragem chamado Juazeiro - A Nova Jerusalém. Nos anos de 2000 e 2001, idealizou e foi curador, em Fortaleza, do projeto Natal da Gente, grande encontro das manifestações artísticas populares do ciclo natalino de todo o Nordeste. Em 2001, produziu e dirigiu um filme de longa metragem (ficção) chamado Lua Cambará - Nas Escadarias do Palácio, finalizado em 2002.
Em 2003, Rosemberg Cariry iniciou Cine Tapuia, filme de longa metragem que narra as aventuras e desventuras do Cego Araquém e da sua filha Iracema, cinemeiros ambulantes que vagam pelo sertão, projetando fragmentos de velhos filmes sobre a história e a cultura do Ceará. À margem da história, acontece a paixão de Iracema por Martim, um jovem português, vendedor ambulante de CDs piratas e outras bugigangas. O filme revisita a figura lendária do Cego Aderaldo e a dramaturgia de José de Alencar, que elaborou, no romance Iracema, o mito fundador do povo cearense. O filme estreou em 2007. Ainda em 2007, finalizou o longa-metragem Patativa do Assaré - Ave Poesia, documentário sobre a vida e a obra do mais importante poeta popular do Brasil. Em setembro do mesmo ano, rodou o longa-metragem Siri-Ará, chamado de cinema figural brasileiro, que narra, de forma alegórica, a história e a formação cultural do povo cearense. O filme Siri-Ará é o oitavo filme de longa metragem de Rosemberg Cariry. Atualmente trabalha no projeto O Auto de Lampião no Além, longa-metragem inspirado na literatura de cordel, a ser rodado no Piauí, Sergipe e Amazonas.
Paralelamente à sua atividade de cineasta, Rosemberg Cariry desenvolveu todo um trabalho como escritor e poeta, tendo publicado os livros Despretensionismo - poemas, em parceria com Geraldo Urano, em 1975; Semeadouro - poemas, em 1981; Cultura lnsubmissa - estudos e reportagens, em parceria com Oswald Barroso, em 1982; S de Seca - SS - poemas, em 1983; A Lenda das Estrelinhas Magras - contos, em 1984 e lnãron ou na Ponta da Língua eu trago trezentos mil desaforos - poemas, em 1985. Participou ainda de antologias poéticas no Brasil e no exterior. Teve ativa participação nos movimentos artísticos e literários do Ceará. Dirigiu a revista Por Exemplo, 1973/75, no Crato. Foi um dos criadores do movimento Nação Cariri e um dos editores da revista homônima em Fortaleza, de 1981 a 1987. Foi líder estudantil na Faculdade de Filosofia de Fortaleza e editou o jornal Philos. Fez palestras, participou de debates e ministrou cursos sobre cinema brasileiro e cultura popular do Nordeste em várias instituições e universidades brasileiras. Produziu e fez direção artística de vários discos e CDs de artistas do Ceará, com destaque para a coleção Memória Viva do Povo Cearense, que registrou a música dos grandes mestres da cultura tradicional da região. Contribuiu notadamente para o reconhecimento e valorização da cultura popular dos povos do Nordeste do Brasil. Foi delegado. do Brasil junto ao ALMECIN - programa de intercâmbio cinematográfico entre a Comunidade Européia e a América Latina.
A partir de 1997, exerceu a função de Secretário de Cultura e Diretor¬presidente da Fundação J. Figueiredo Filho, ocasião em que realizou o I Encontro das Culturas Populares do Nordeste e elaborou os projetos do Parque Histórico do Caldeirão, da Universidade Popular do Ceará, do programa Mestres e Guardiões dos Saberes Populares, do Festival de Cultura dos Povos (transformado posteriormente em Mestres do Mundo), do Centro Cultural da RFFSA, do Crato, do Corredor Cultural do Crato, da Associação dos Curumins do Sertão (Farias Brito), da Fundação Cego Aderaldo (depois intitulada Mestre Elói) e da Revitalização do Bairro Rabo da Gata (Crato), da Universidade Popular, entre outros, dando grande impulso a revitalização das artes e das culturas populares na região do Cariri. De 1996 a 2001, fez inúmeras viagens para Europa, notadamente para França, onde realizou pesquisas históricas e escreveu o roteiro e o projeto do filme Les Esclaves de Job.

Por ter participado amplamente da preservação do patrimônio cultural do povo brasileiro, foi recompensado, em 1996, com o Prêmio Rodrigo de Franco Melo Andrade / IPHAN, outorgado pelo Ministério da Cultura do Brasil. Foi homenageado com título de Cidadão Honorário das cidades de Crato, Juazeiro do Norte e Fortaleza. Em 2001, recebeu da Fundação Cultural de Fortaleza o Título do Mérito Cultural, em reconhecimento ao seu trabalho artístico e cinematográfico. De 2003 a 2006, foi presidente da Associação de Produtores e Cineastas do Norte e Nordeste - APCNN. Foi diretor do CBC - Congresso Brasileiro de Cinema, biênio 2005¬2007. Atualmente é diretor-presidente do Instituto Internacional de Intercâmbio e Cooperação Artística e Cultural - INTERARTE, sendo curador do Festival Internacional de Trovadores e Repentistas e da Mostra Cinema: Sertão e Cantoria e Festpop. Na presidência da Interarte, Rosemberg Cariry tem-se dedicado ainda à edição de livros e recentemente lançou o romance O Fóssil, do escritor e cineasta canadense Michel Régnier e o ensaio Cinema e Literatura no Brasil - Os mitos do sertão: emergência de uma identidade nacional, da pesquisadora francesa Sylvie Debs. Em 2007, foi nomeado para o Conselho Consultivo da Secretaria para Desenvolvimento do Audiovisual do Ministério da Cultura. Em 2009, foi eleito presidente do CBC - Congresso Brasileiro de Cinema para o biênio 2009-2010.
Um traço marcante da obra de Rosemberg Cariry é a busca sempre renovada das fontes e dos encontros culturais: procura extrair o universal do particular, estabelecer ligações entre as diferenças culturais e, em particular, entre as formas eruditas e populares. Assim, o seu trabalho, profundamente imerso na cultura no Nordeste do Brasil, chega ao universal, por meio de uma dimensão essencialmente humanista.

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